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A IMPORTÂNCIA DO VÍNCULO AFETIVO: O PAPEL DO PAI

Inês Santos, Psicóloga • 11 de março de 2025

Desde o momento em que nasce, o bebé procura constantemente conexão. O calor do toque, o som da voz dos pais, o olhar cheio de amor: tudo são sinais de que ele não está sozinho no mundo.

Para os pais, construir este vínculo afetivo seguro é essencial, não apenas como uma demonstração de carinho, mas como uma necessidade biológica e psicológica que impacta profundamente no desenvolvimento da criança. Estudos mostram que crianças que crescem num ambiente seguro emocionalmente têm melhores competências sociais, maior autoestima e menor propensão para desenvolver perturbações emocionais na vida adulta (Ainsworth, 1978; Bowlby, 1988).


O poder da vinculação segura

John Bowlby demonstrou que bebés e crianças pequenas precisam de uma relação estável e responsiva para se desenvolverem emocionalmente de forma saudável. Para os pais, isso significa estar presente de maneira ativa e envolvida, não apenas como provedores, mas como figuras de segurança e afeto. A vinculação segura, que ocorre quando a criança confia que o pai estará lá para protegê-la e confortá-la, tem efeitos duradouros na forma como ela se relaciona com o mundo. As crianças que desenvolvem esse tipo de vínculo tendem a ser mais resilientes, empáticas e confiantes nas suas relações (Cassidy & Shaver, 2016).


O olhar e o toque: linguagens do amor

A neurociência tem mostrado que pequenos gestos, como um olhar terno ou um toque suave, ativam a liberação de ocitocina, a hormona do amor e do vínculo (Feldman, 2012). Este contato físico é essencial para criar uma conexão forte com os filhos. Um pai que abraça, que dá colo, que se baixa para brincar no chão está a reforçar laços de confiança e proteção. Quando um bebé chora e é prontamente atendido pelo pai, ele aprende que pode contar com essa figura em momentos de necessidade.


A importância da presença

Num mundo acelerado, onde os dispositivos eletrónicos frequentemente competem pela atenção dos pais, a presença verdadeira é um presente inestimável. Isto significa equilibrar as responsabilidades profissionais com a disponibilidade emocional em casa. Estar fisicamente presente não é suficiente; é necessário estar emocionalmente disponível. Estudos sugerem que momentos diários de interação significativa - como ler uma história juntos, jogar à bola, fazer uma refeição em conjunto ou simplesmente ouvir com atenção - são mais valiosos do que longos períodos de tempo passados sem qualidade emocional (Sroufe, 2005).


A presença paterna ao longo do crescimento da criança desempenha um papel fundamental na sua autoconfiança e na forma como ela se relaciona com o mundo. Desde os primeiros passos até à adolescência, a figura do pai como referência de apoio, orientação e incentivo contribui para um desenvolvimento emocional equilibrado. Crianças que crescem com pais presentes e envolvidos tendem a ter um melhor desempenho escolar, maior capacidade de resolver problemas e um sentido de identidade e pertença mais apurado (Lamb, 2010). Ser um pai ativo significa estar presente nas pequenas e grandes conquistas, oferecendo suporte emocional e incentivando a autonomia dos filhos de maneira saudável.


Acolher as emoções, mesmo as difíceis

Muitos pais cresceram com a ideia de que devem ser "fortes" e esconder as emoções, mas um dos maiores presentes que um pai pode dar a um seu filho é ensiná-lo a lidar com os sentimentos de forma saudável. Acolher as emoções da criança sem julgamentos é essencial para construir uma relação de confiança. Daniel Siegel, explica que quando ajudamos as crianças a nomear e entender as suas emoções, estamos a ajudá-las a desenvolver a capacidade de regulação emocional e a inteligência emocional (Siegel & Bryson, 2011). Um pai que escuta, que valida sentimentos e que ensina estratégias saudáveis para lidar com frustrações e desafios está a criar um filho mais equilibrado e preparado para a vida.


Criar um espaço de amor e segurança

O vínculo afetivo constrói-se nos pequenos detalhes do dia a dia: um "amo-te" inesperado, umas festinhas antes de dormir, um elogio sincero. Para um pai, essa ligação fortalece-se ao mostrar presença e envolvimento ativo na vida da criança, participando das suas descobertas, sonhos e desafios. Mais do que qualquer presente material, é esta ligação invisível que está na base de um relacionamento sólido e afetuoso entre pais e filhos.

Quando um filho se sente amado e seguro, ele carrega essa certeza consigo para o resto da vida. Como pai, a sua missão é ser esse porto seguro, essa presença constante que, com gestos simples, mas poderosos, molda corações e transforma futuros.



Referências
  • Ainsworth, M. D. S. (1978). Patterns of attachment: A psychological study of the strange situation. Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum.
  • Bowlby, J. (1988). A Secure Base: Parent-Child Attachment and Healthy Human Development. New York: Basic Books.
  • Cassidy, J., & Shaver, P. R. (2016). Handbook of Attachment: Theory, Research, and Clinical Applications. Guilford Publications.
  • Feldman, R. (2012). Oxytocin and social affiliation in humans. Hormones and Behavior, 61(3), 380-391.
  • Lamb, M. E. (2010). The Role of the Father in Child Development. John Wiley & Sons.
  • Siegel, D. J., & Bryson, T. P. (2011). The Whole-Brain Child: 12 Revolutionary Strategies to Nurture Your Child’s Developing Mind. Delacorte Press.
  • Sroufe, L. A. (2005). Attachment and Development: A Prospective, Longitudinal Study from Birth to Adulthood. Attachment & Human Development, 7(4), 349-367.

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