Este tipo de comportamento ocorre entre companheiros, em que alguém mais forte, com mais estatuto, ou em grupo, abusa repetidamente de uma vítima indefesa.
Há que ter em conta o impacto que estes comportamentos têm no bem-estar psicológico do aluno que é vítima, podendo ter efeitos nas relações interpessoais, redução da autoestima e alterações comportamentais. Algumas destas consequências podem perdurar ao logo de toda a vida, refletindo-se numa maior tendência para a depressão e dificuldades de inserção social.
É possível tentar encontrar caminhos e formas de atenuar este tipo de comportamento, através da tomada de conhecimento de algumas das causas e consequências, na busca de soluções. Torna-se fundamental encontrar caminhos e formas de atuar, sobretudo preventivamente! É importante que a abordagem comece nas crianças mais novas, através da educação para os valores, desenvolvimento do seu autoconceito e das suas competências de comunicação, aprendendo a ouvir, a aceitar e a respeitar as opiniões diferentes das suas.
Existem alguns fatores que poderão atuar como protetores de uma possível situação de bullying. Sabe-se que crianças amadas pelo outro, com uma autoestima e autoconfiança fortalecidas, com uma atitude mais reflexiva face ao seu comportamento e vivências securizantes são menos propensas a ter este tipo de comportamento. O comportamento do aluno indisciplinado é um sinal de que algo vai mal na sua vida particular ou escolar e torna-se indispensável a identificação dos fatores perturbadores e acionar fatores de proteção.
A participação dos pais é de extrema importância, através do estabelecimento de regras, diálogo e reforço de comportamento positivo. No contexto escolar é importante que seja estimulado o trabalho cooperativo, envolvendo a turma na definição de regras, potenciando o desenvolvimento de relações amigáveis, uma estrutura adaptada às características e necessidades individuais e desenvolvimento de competências de comunicação.
É igualmente fundamental que os agentes educativos estejam atentos à existência de crianças tendencialmente mais isoladas, quando há uma alteração de comportamento muito significativa, se as crianças estão mais zangadas, irritadas ou com alterações do sono, ou queixas como dores, dificuldades de concentração ou mesmo a existência de marcas físicas.
O dar apoio imediato ao aluno-vítima e à sua proteção, desencadeando os procedimentos previsto na escola, é fundamental.
É importante que a criança ou jovem sinta conforto, apoio e a possibilidade de falar sobre o assunto, assim como potenciar com ela algumas estratégias de segurança (como ser mais confiante, assertivo, procurar andar acompanhado e evitar situações de confronto direto) e, se necessário, procurar a ajuda de um profissional de saúde mental.
Compete a todos os intervenientes, nomeadamente escolares (professores, auxiliares, pais, alunos, técnicos) trabalharem em conjunto para construir um ambiente escolar saudável, no qual seja prazeroso estar, aprender e construir relações.