Muitas vezes, stress e ansiedade são usados como sinónimos, mas, embora estejam relacionados, são conceitos distintos. O stress é uma resposta do corpo a uma ameaça ou desafio, seja físico, emocional ou mental. Pode ser causado por situações pontuais, como pouco tempo para estudar para um teste ou uma audição de violino por exemplo. É uma reação natural e geralmente temporária, que nos aguça os sentidos e nos prepara para lidar com situações difíceis.
Por outro lado, a ansiedade é uma sensação mais persistente de apreensão ou medo, muitas vezes sem um estímulo específico ou imediato. Enquanto o stress tende a desaparecer quando a situação de pressão termina, a ansiedade pode perdurar, mesmo quando não há uma causa aparente. Em casos extremos, a ansiedade pode tornar-se uma condição clínica, como são exemplo as Perturbações de Ansiedade (veja mais aqui), que requerem intervenção especializada por parte de Psicólogos e/ou Psiquiatras.
Assim, enquanto o stress é uma resposta ao "aqui e agora", a ansiedade pode estar mais ligada ao futuro, às preocupações e incertezas, e pode manifestar-se de forma mais persistente e debilitante.
O stress nem sempre é negativo!
Na verdade, o corpo humano usa o stress como uma ferramenta de sobrevivência. No entanto, existe uma linha ténue entre o stress que nos motiva, e o stress que nos desgasta. Aqui entra o conceito da Curva do Stress, também conhecida como Curva de Yerkes-Dodson.
Esta curva demonstra que, até certo ponto, o stress melhora o desempenho e a produtividade. Esse nível é conhecido como eustress. É o tipo de stress que sentimos antes de uma competição desportiva ou de uma audição para a peça de teatro da escola. Ele mantém-nos focados, energizados e prontos para enfrentar as dificuldades. No entanto, quando o stress ultrapassa um certo limite, passa a chamar-se de distress. Em vez de aumentar a produtividade, começa a prejudicar a nossa capacidade de resposta aos desafios. As emoções ficam descontroladas, toldando o nosso raciocínio e capacidade de concentração; podem ainda surgir sintomas psicossomáticos, como dores de cabeça, fadiga e insónias.
O segredo é encontrar o ponto ideal de stress — suficiente para nos manter alerta, mas não ao ponto de nos deixar esgotados. O stress prolongado pode ter consequências negativas significativas, como o burnout ou outros problemas de saúde mental.
A prática de mindfulness, que envolve estar presente no momento e reconhecer os nossos pensamentos e emoções sem julgamento, pode ser extremamente útil. A meditação regular também ajuda a acalmar a mente, promovendo a redução da ansiedade e dos níveis de stress. Comece por meditações guiadas, podem ser uma ajuda para o redirecionar para o momento presente quando ainda não tem essa capacidade trabalhada.
O exercício físico é uma das formas mais eficazes de combater o stress. Atividades como corrida, natação ou yoga ajudam a libertar endorfinas, que são conhecidas como as "hormonas do bem-estar", além de ajudarem a relaxar os músculos, também ajudam a tranquilizar a mente. Escolha atividades que lhe deem prazer, pois terá maior probabilidade de conseguir mantê-las no tempo.
Na maioria das vezes, o stress resulta da sensação de sobrecarga e falta de controlo. Utilizar ferramentas de planeamento, como listas de tarefas, definição de prioridades e agendas podem reduzir significativamente essa pressão. Não se esqueça de ser realista nesta organização, o dia só tem 24 horas!
Dormir bem é essencial para restaurar o corpo e a mente, assim como para acomodar aprendizagens. Estabelecer uma rotina de sono e evitar o uso de ecrãs antes de dormir pode melhorar a qualidade do sono, permitindo-o recuperar do stress do dia. Crie uma rotina relaxante para preparar o corpo e a mente para desligar. Se a sua mente estiver agitada, aponte as suas preocupações num papel, este mecanismo poderá ajudar a abrandar os pensamentos, sabendo que não ficam esquecidos.
Conversar com amigos, familiares ou colegas pode ser uma forma eficaz de aliviar o stress. Ter um sistema de suporte emocional cria um espaço seguro para desabafar, trocar ideias e, assim, reduzir a sensação de isolamento.
Em casos mais graves, procurar ajuda profissional pode ser a solução mais adequada. A terapia poderá fornecer ferramentas para lidar com situações de stress e ansiedade, ajudando a mudar padrões de pensamento que alimentam o problema. Também o poderá ajudar a entender as suas emoções e experiências de maneira mais profunda, promovendo a autoaceitação e o desenvolvimento de estratégias mais saudáveis. No mesmo sentido poderá ajudar a pessoa a entender e a trabalhar os seus padrões emocionais que perpetuam o stress, oferecendo um alívio duradouro. Ao explorar os papéis e padrões das suas relações, poderá desenvolver uma nova compreensão do stress, facilitando mudanças nas interações que possam estar a causar ou agravar a ansiedade.
O stress faz parte da vida moderna, mas entender as suas nuances, saber quando é útil e como geri-lo quando se torna prejudicial, pode ser o segredo para viver de forma mais equilibrada. Através das ferramentas certas, é possível transformar o stress num aliado que nos ajuda a crescer e a superar desafios. Como em tantas áreas da vida, o equilíbrio é a chave.